quinta-feira, 22 de junho de 2017

O Bebê Maldito II (The Unborn II, EUA, 1994)


Criado da ciência. Vazio de alma. Nascido para comandar
– tagline promocional do segundo filme do bebê maldito

Lançado em VHS no Brasil pela “California” e com produção do “Rei dos Filmes B” Roger Corman, “O Bebê Maldito II” (The Unborn II, 1994) é o típico exemplo do cinema bagaceiro de horror dos anos 90 do século passado, com história tranqueira onde o destaque é o bebê do título, deformado e assassino, um boneco animatrônico que diverte justamente por ser extremamente tosco.
A direção é de Rick Jacobson e a história sucede um original lançado em 1991. Dessa vez, acompanhamos os passos de uma misteriosa mulher, Linda Holt (Robin Curtis), que possui uma lista com vários nomes de crianças, as quais são procuradas por ela e brutalmente assassinadas quando localizadas. Em seu rastro temos um detetive da polícia incompetente, Tenente Briggs (Leonard O. Turner), que não consegue impedir as ações violentas da mulher, mesmo matando crianças em locais improváveis como um parque movimentado e ensolarado, ou dentro de um berçário numa maternidade.
Uma das crianças procuradas é Joey, um bebê de seis meses cabeçudo e deformado, que está sendo protegido pela mãe, Catherine Moore (Michele Greene), uma escritora de livros infantis que está sempre se mudando de casa e escondendo o filho esquisito de todos a sua volta. O que não impede de ter que enfrentar uma dupla de assistentes sociais que querem investigar sua conduta como mãe, depois de uma denúncia de mais tratos dos novos vizinhos intrometidos, Artie e Marge Philips (Darryl Henriques e Caroline White, respectivamente), pais da adolescente Sally Anne (a alemã Brittney Powell). Para ajudá-la a esconder o bebê maldito, surge um misterioso homem inicialmente amigável, John Edson (Scott Valentine), que tem objetivos sinistros e é a principal ligação com o filme original. 
A história não é original, lembrando elementos de outra franquia, “Nasce Um Monstro” (It´s Alive), que teve 3 filmes. Não desperta muita atenção e têm diversas situações exageradas, principalmente os tiroteios intermináveis e barulhentos, que não soam convincentes. O que realmente vale a pena no filme é o bebê maldito em cena, tosco ao extremo, que come carne crua e arranca pedaços de suas vítimas com os dentes afiados, além dos grunhidos animalescos para se comunicar. Ele é o resultado de testes genéticos de fertilização mal sucedidos, os quais geraram crianças demoníacas, deformadas e agressivas, que ainda tem o poder de controlar a mente das pessoas para seu benefício (reforçando a ideia da tagline promocional reproduzida no início do texto). Tudo obra de um “cientista louco”, Dr. Richard Meyerling, do original, e que é citado rapidamente nessa continuação para reforçar a conexão entre os filmes.
O desfecho em aberto, como sempre acontece nas franquias intermináveis em busca de lucros, mesmo que pequenos, possibilita uma eventual sequência, um truque comum dos produtores caso decidam a viabilidade de continuar a história. Porém, isso não aconteceu, e o bebê maldito parou nessa segunda parte.   
(Juvenatrix – 22/06/17)

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Ghoulies IV - Eles Estão Próximos! (Ghoulies IV, EUA, 1994)


Um pouco de magia negra, um pouco de couro preto... e muito humor negro – tagline promocional do quarto filme da franquia Ghoulies

Os ghoulies são pequenas criaturas bizarras oriundas de um universo sombrio paralelo e que acidentalmente entraram em nosso mundo. Remetendo-nos diretamente aos filmes das saudosas décadas de 80 e 90 do século passado, a ideia de criação desses pequenos demônios utilizou elementos similares de outros monstrinhos de divertidas franquias como “Gremlins” (que teve 3 filmes) ou “Critters” (com 4 filmes).
“Ghoulies” por sua vez teve 4 partes, sendo a primeira lançada em 1984 pela extinta produtora “Empire”, de Charles Band, seguida em 1988 por “Ghoulies 2” e em 1991 por “Os Ghoulies Vão Ao Colégio” (Ghoulies III: Ghoulies Go To College). Em 1994 foi lançado diretamente para o mercado de vídeo VHS o quarto episódio, que recebeu o nome nacional “Ghoulies IV – Eles Estão Próximos!” (distribuído pela “Warner” com um subtítulo totalmente desnecessário), dirigido pelo especialista em bagaceiras Jim Wynorski, dono de um currículo produtivo com mais de 100 filmes.
Nessa comédia com elementos de fantasia e horror, um ex-praticante de magia negra e agora detetive da polícia, Jonathan Graves (Peter Liapis), é o elo de ligação com o universo ficcional da franquia, sendo o mesmo personagem e ator do filme original de 1984. Ele tem em seu poder uma pedra vermelha mágica, a “joia do conhecimento”, procurada desesperadamente pela entidade maligna Fausto, que na verdade é a manifestação de seu lado negro, para poder entrar em nosso mundo.
Para alcançar seu objetivo, a criatura demoníaca utiliza os serviços da bela Alexandra (Stacie Randall), uma antiga namorada do policial que está vestindo roupas sensuais de couro preto, além de ter habilidades especiais em lutas e manuseio de armas, e que fugiu de um manicômio para roubar a pedra mágica. Ela enfrenta em seu caminho uma dupla de ghoulies trapalhões, interpretados pelos anões Tony Cox e Arturo Gil, que entraram acidentalmente em nosso mundo através da abertura de um portal dimensional. Para ajudar o policial e antigo ocultista surge também outra ex-namorada e parceira na polícia, a bela capitã Kate (Barbara Alyn Woods), e juntos eles tentam combater Alexandra e os planos maquiavélicos de seu mestre Fausto. Além de salvar a atual amante do policial, a prostituta Jeanine (Raquel Krelle), que tem a pedra mágica num colar pendurado no pescoço e por isso corre perigo de vida como vítima de um ritual satânico de sacrifício humano, e resgatar do limbo o também policial Scotty (Bobby Di Cicco), atual parceiro de Graves e que foi possuído pelas forças do além.
O roteiro de Mark Sevi é uma salada indigesta com tanta bobagem misturada que inevitavelmente contribui para o desinteresse e afastamento do espectador de qualquer tipo de entretenimento. Existem os filmes bagaceiros que divertem e tem também aquelas tranqueiras que entediam, sendo que essa quarta parte de “Ghoulies” se enquadra no segundo caso. Tem muitos momentos de comédia pastelão e não é todo mundo que aprecia isso, mesmo sendo um filme com elementos propositais de humor negro (reforçado na tagline promocional do filme, reproduzida no início desse texto). Principalmente nas cenas com os ghoulies patetas, que de bonecos com comportamentos malignos nos filmes anteriores, passaram para criaturas de boas condutas interpretadas por atores anões com máscaras extremamente toscas (eles falam, mas suas bocas praticamente não se mexem). Aliás, eles também andam tranquilamente pelas ruas de Los Angeles sem serem notados ou importunados, simulando de forma inverossímil que se escondem das pessoas, ou não despertando estranheza quando descobertos. Apenas nesse filme da franquia os ghoulies foram interpretados por atores, porque a produtora “Cinetel” não conseguiu utilizar os bonecos originais dos filmes anteriores.
Curiosamente, existem algumas cenas do filme original de 1984 apresentadas em flashback, e o desfecho de “Ghoulies IV” apresenta um gancho proposital onde as criaturas convidam o espectador para conferir a próxima aventura deles, mas o anunciado quinto filme da franquia nunca foi filmado.
(Juvenatrix – 19/06/17)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Doce Vingança 2 (I Spit on Your Grave 2, EUA, 2013)


Com direção novamente de Steven R. Monroe, do filme homônimo de 2010 (que por sua vez é uma refilmagem de “A Vingança de Jennifer”, de 1978), “Doce Vingança 2” não é uma continuação, e sim apenas a variação de história similar com outra ambientação.
Uma jovem e bela garota americana, Katie (Jemma Dallender), decide fazer uma sessão de fotos para tentar a difícil carreira de modelo, porém um dos homens do estúdio fotográfico invade seu apartamento e a estupra. Os irmãos do criminoso são chamados para ajudá-lo e levam a garota para a Bulgária. Lá, ela é novamente violentada de forma brutal, além de sofrer torturas terríveis e enterrada viva. Mas, ela sobrevive e coloca em prática um sangrento plano de vingança.
Sem novidades em relação ao primeiro filme, é apenas mais uma jogada oportunista do diretor para tentar arrecadar algum lucro com o tema batido de violência e vingança. Dessa vez a ambientação saiu de uma floresta e pequena cidade americana, indo para um cenário urbano do leste europeu. Continuamos com várias situações mal explicadas para facilitar o trabalho do roteirista, como a viagem para a Bulgária, a fuga da garota enterrada para morrer, e a sucessão de situações inverossímeis no plano de vingança centrado na dor e tortura das vítimas. A violência, sem não for igual ao filme antecessor, é até maior e mais gráfica.
Continuando a franquia, em 2015 foi lançada a parte 3, com direção de R. D. Braunstein, que é uma continuação direta do primeiro filme, com a mesma personagem Jennifer Hills e atriz Sarah Butler. O nome nacional é “Doca Vingança 3: A Vingança é Minha” (I Spit on Your Grave 3: Vengeance is Mine).
(Juvenatrix – 09/02/14)

Doce Vingança (I Spit on Your Grave, EUA, 2010)


Doce Vingança” é uma refilmagem de um original de 1978 com o nome aqui no Brasil de “A Vingança de Jennifer”, escrito e dirigido por Meir Zarchi, e conhecido pelos títulos “Day of the Woman” ou “I Spit On Your Grave”. A nova versão tem direção de Steven R. Monroe, que enfatizou sua intenção em homenagear o filme antecessor da década de 1970 do século passado. Teve uma parte 2 lançada em 2013 pelo mesmo cineasta, porém não é uma continuação e a opção dos realizadores foi criar outra história dentro do mesmo tema. E em 2015 foi lançada a parte 3, com direção de R. D. Braunstein, essa sim é uma continuação direta com a mesma personagem Jennifer Hills e atriz Sarah Butler. Recebeu o nome nacional de “Doca Vingança 3: A Vingança é Minha” (I Spit on Your Grave 3: Vengeance is Mine).
Uma jovem e bela escritora, Jennifer Hills (Sarah Butler), decide ir para um chalé afastado e cercado por uma floresta, para ficar isolada e poder trabalhar em seu novo livro. Porém, ao chegar à cidade próxima ao local de seu refúgio na natureza, ela chama a atenção por sua beleza e características de uma garota da cidade grande. Ela então é visitada de forma inesperada por quatro homens, que se juntam ao desonesto xerife local, que se diz religioso e temente a Deus, mas na verdade tem um caráter desprezível. A jovem escritora torna-se vítima de crueldades indescritíveis, sendo estuprada violentamente na floresta. Porém, “a vingança é um prato que se come frio”, e ela consegue sobreviver para dar o troco em seus algozes através de atrocidades ainda piores.
Filme sangrento repleto de momentos de grande tensão, principalmente a tortura física e psicológica sofrida pela protagonista, fazendo-nos torcer por sua recuperação e sucesso no plano de vingança. O ser humano consegue ser tão desprezível com atitudes de crueldade, que muitas vezes é mais insignificante e rasteiro que os insetos que esmagamos sem perceber ao caminhar. E não é nenhum spoiler revelar que, para nossa total satisfação como apreciadores do cinema de horror, os estupradores são punidos de formas terrivelmente dolorosas, apesar de sabermos que as ações meticulosas e precisas da mulher vingadora são bem improváveis quando tentamos aproximar a história de algo mais real.
(Juvenatrix – 03/02/14)

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A Maldição dos Brinquedos (Curse of the Puppet Master, EUA, 1998)


Charles Band nasceu em 1951 nos Estados Unidos. Roteirista, diretor e produtor, ele fez parte, junto com seu pai Albert Band, da extinta produtora “Empire Pictures”, que foi a responsável por várias preciosidades como “A Hora dos Mortos-Vivos” (Re-Animator, 1985) e “Do Além” / “Possuídos Pelo Mal” (From Beyond, 1986), ambos baseados em histórias de H. P. Lovecraft. Após o encerramento das atividades da “Empire”, ele fundou a produtora “Full Moon Entertainment” e continuou lançando suas pérolas de horror e ficção científica como a imensa franquia “Puppet Master”.
A Maldição dos Brinquedos” (Curse of the Puppet Master, 1998) é o sexto filme da franquia e foi lançado no mercado brasileiro de vídeo VHS pela “Play Time”. Com direção de David DeCoteau, creditado como Victoria Sloan, a história é sobre o “cientista louco” Dr. Magrew (George Peck), que utiliza os conhecimentos de Andre Toulon, o famoso “mestre dos brinquedos” dos filmes anteriores, e mantém em cativeiro um grupo de bonecos vivos assassinos, apresentando-os num show bizarro como se fossem marionetes que se movimentam sozinhas misteriosamente.
Ele é obcecado em fazer experiências tentando transferir a alma das pessoas para dentro de bonecos, criando “brinquedos humanos” (daí a ideia da tagline “...A Experiência Humana”). Para isso, ele encontra o jovem Robert “Tank” Winsley (Josh Green), um rapaz tímido e sem família, que viveu num orfanato e trabalha num posto de gasolina. Ele sempre tem pesadelos e é constantemente ridicularizado por seus colegas, até ser convidado para trabalhar com o cientista depois de revelar que é um talentoso escultor de bonecos em madeira. Tank logo se apaixona pela bela filha do cientista, Jane Magrew (Emily Harrison), não imaginando os planos maquiavélicos de seu novo patrão. Enquanto isso, em paralelo o xerife Garvey (Robert Donavan) e seu assistente Wayburn (Jason-Shane Scott), estão desconfiados do trabalho sinistro do cientista e investigam o desaparecimento suspeito de seu antigo empregado.
O filme até diverte um pouco justamente pelos bonecos toscos e as cenas de mortes sangrentas, mas eles e os assassinatos somente entram em cena para valer a partir da metade da projeção. O roteiro tem muitos furos que podem ser notados sem esforço, validando o fato de que os realizadores não estão se importando muito com os espectadores e a qualidade da história. Quando Tank é apresentado para os bonecos vivos, ele não parece admirado com algo tão incomum. E o desfecho abrupto gera um inevitável desconforto, onde não esperávamos o corte brusco para os créditos finais. “A Maldição dos Brinquedos” foi filmado às pressas em apenas 8 dias e com a grande maioria das cenas dos fantoches sobrenaturais aproveitadas dos filmes anteriores, fazendo desse sexto capítulo da franquia apenas mais um produto comum e de fácil esquecimento.
Curiosamente, entre os bonecos assassinos que aparecem nesse capítulo da franquia, temos “Blade” (dublado no Brasil como “Lâmina”, que tem uma faca e um gancho no lugar das mãos) e “Six-Shooter” (“Seis Tiros”, um pistoleiro do velho oeste habilidoso com os revólveres). Além de “Pinhead” (“Cabeça de Alfinete”, que tem uma cabeça muito pequena e desproporcional ao tamanho do corpo, com sua força concentrada nas mãos enormes), “Tunneler” (“Tonelada”, que tem uma broca na cabeça e gosta de furar suas vítimas em imensos banhos de sangue), “Jester” (um comediante fantasiado como “o bobo da corte”), e “Sugismunda” (“Leech Woman”, uma mulher que tem sanguessugas na boca).     
A imensa franquia começou em 1989 com “Bonecos da Morte” (Puppetmaster) e teve mais dez filmes. Alguns foram lançados no Brasil e os títulos nacionais ruins contribuíram para uma enorme confusão e dificuldade num trabalho de catalogação. São eles: “O Mestre dos Brinquedos” (Puppet Master II, 1990), “A Volta do Mestre dos Brinquedos” (Puppet Master III: Toulon´s Revenge, 1991), “Bonecos em Guerra” (Puppet Master 4, 1993) e “Bonecos em Guerra – O Capítulo Final” (Puppet Master 5, 1994). Depois de 4 anos veio o filme analisado rapidamente nesse texto, seguido de “Retro Puppet Master” (1999), “Puppet Master: The Legacy” (2003), “Puppet Master: Axis of Evil” (2010), “Puppet Master X: Axis Rising” (2012), e “Puppet Master: Axis Termination” (2017).
 (Juvenatrix – 08/06/17)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

A Noiva Assassina (Praying Mantis, EUA, 1993)


Existe uma infinidade de filmes com histórias tão banais e comuns que assisti-los é um desgastante exercício de paciência. “A Noiva Assassina” (Praying Mantis, 1993) é uma produção para a televisão apenas recomendada para aqueles que estão dispostos a ver filmes ruins de suspense como simples curiosidade ou para conhecer tudo dentro do gênero, mesmo as porcarias que não divertem.
Com direção de James Keach, é um thriller básico, com história clichê e entediante, que foi lançado no Brasil em vídeo VHS pela “CIC” e lembra os tipos de filmes ruins exibidos na sessão “Supercine” da TV Globo. Uma suposta escritora, Linda Crandell (Jane Seymour), conhece um homem viúvo, Don McAndrews (Barry Bostwick), dono de uma rede de livrarias, e pai do adolescente Bobby (Chad Allen). Eles se apaixonam e decidem inicialmente morar juntos, e depois se casar, para o descontentamento da cunhada Betty (Frances Fisher), que desconfia do caráter da nova mulher.
Paralelamente, uma dupla de detetives do FBI, Johnson (Colby Chester) e Broderick (Michael MacRae), estão investigando uma série de assassinatos de homens logo após seus casamentos, e suspeitam que a autora dos crimes é sempre a mesma mulher, conhecida como “A Noiva Assassina” (do título nacional). Ou “Praying Mantis” (do título original), cuja tradução do inglês é o inseto “louva-a-deus”, que tem o hábito incomum das fêmeas matarem e devorarem os machos logo após o acasalamento. Enquanto os agentes da polícia tentam encontrar o rastro da assassina, a família de Don recebe sua nova namorada não imaginando o perigo e a ameaça mortal que se instalaria em sua casa.
O filme, carregado de clichês e situações previsíveis, não apresenta nada que já não se tenha visto antes em filmes de suspense com mulheres assassinas que demonstram perturbação, agressividade, ciúme exagerado e poder de manipulação, com um passado trágico na infância que influenciaria em sua personalidade doentia. Enganando todos a sua volta com falsas impressões de educação e bom caráter, e eliminando as pessoas inocentes que tiveram o infortúnio de cruzarem seu caminho, atrapalhando seus planos de vingança pessoal contra os homens. Dispensável.
Curiosamente, os atores Jane Seymour, Barry Bostwick e Frances Fisher são agora veteranos com extensas filmografias e carreiras bem sucedidas no cinema.
(Juvenatrix – 04/06/17)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A Filha de Sarah (Sarah´s Child, EUA, 1994)


Entre 1996 e 1997 foi exibida na TV Bandeirantes a lendária sessão de cinema de horror “Cine Trash”, apresentada por “Zé do Caixão”. Entre as dezenas de filmes, “A Filha de Sarah” (Sarah´s Child, 1994), com direção de Ron Beckstrom, é um thriller sonolento que conta a história de uma mulher infértil e obcecada para ser mãe. Também foi lançado em vídeo VHS por aqui pela “Company”.
Sarah LaMere (Mary Parker Williams) é casada com Michael (Michael Berger) e eles decidem se mudar de uma cidade grande para uma pequena, morando de aluguel numa bela casa de arquitetura antiga, de propriedade da Sra. Margareth Franklin (Ruth Hale). Sarah é pintora de aquarelas e seu marido é um agente de seguros de carros, que abre um escritório na cidade representando uma grande empresa. O casal vive bem e é relativamente feliz, porém Sarah deseja ter filhos para aumentar a família e uma vez não tendo sucesso em seus planos, fica desesperada ao descobrir que sofre de infertilidade.
Seu relacionamento com o marido começa a se desgastar pela dificuldade em aceitar a impossibilidade de gerar filhos e as coisas complicam ainda mais depois que surge entre eles uma misteriosa criança chamada Melissa (Meagen Addie), que tem um comportamento estranho, não fala, não se sabe de onde veio e freqüenta a casa conturbando o ambiente, principalmente depois da ocorrência de acidentes mal explicados com o cachorro de estimação e com a Sra. Franklin. Sarah foi educada de forma rígida e religiosa aprendendo que a missão da mulher é procriar, e sua condição de infertilidade interfere em sua percepção da realidade mergulhando num pesadelo de insanidade, mesmo com as tentativas de ajuda do marido e apoio médico do psiquiatra Dr. Perry (Bryce Chamberlain).
“A Filha de Sarah” tem uma hora e meia de duração que se arrasta num ritmo lento e história pouco inspirada que não consegue manter o interesse do espectador. Os elementos de horror são muito sutis, representados pela figura misteriosa da criança que surge para influenciar no clima de tensão crescente entre o casal sem filhos. As poucas coisas que poderiam gerar algum interesse, na exploração de um mistério, demoram tanto para acontecer e ainda mais com um resultado tão trivial, que qualquer tentativa de apresentar elementos supostamente sobrenaturais perde seu efeito. E não poderíamos deixar de citar uma tentativa de humor forçado totalmente fora de contexto, envolvendo um enfermeiro patético que dança e faz palhaçadas no hospital onde Sarah fica internada. A cena tem um resultado estranho que não se encaixa na história.
(Juvenatrix –29/05/17)