segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O Ataque do Tubarão de 5 Cabeças (5-Headed Shark Attack, EUA, 2017)


A produtora americana “The Asylum” é conhecida pelos seus filmes ruins. Porém, na maioria das vezes tão ruins que não divertem, sempre com histórias rasas, elenco amador e efeitos toscos com CGI vagabundo e inconvincente. Eles sempre estão contribuindo com a moda de filmes ridículos com tubarões assassinos, intensificada principalmente após o sucesso popular da franquia “Sharknado”, iniciada em 2013. São tantos filmes absurdos com essa temática que nem vale a pena um esforço para catalogação de tanta tranqueira lançada sem o mínimo de controle de qualidade. Em 30/07/2017, em parceria com o canal de TV a cabo “SyFy”, foi lançada mais uma bagaceira: “O Ataque do Tubarão de 5 Cabeças” (5-Headed Shark Attack), com direção do estreante Nico De Leon..
Uma ilha em Porto Rico tem sua rotina paradisíaca alterada após a ocorrência de várias mortes violentas no mar, que são creditadas para um imenso tubarão mutante com cinco cabeças, uma anomalia da natureza ávida pela carne humana. O dono inescrupuloso de um aquário, Thaddeus Marshall (Jeffrey Holsman) decide pressionar a bióloga marinha Dra. Angie Yost (Nikki Howard) junto com alguns jovens estagiários, para tentarem capturar o tubarão vivo, com o objetivo de exposição ao público e com isso alavancar os negócios com o aquário decadente, nem que signifique algumas perdas de vidas na caçada. Eles contam com a ajuda de um caçador experiente e mercenário, Red (Chris Bruno), e também com os esforços de salvamento da polícia local, representada pelo Capitão Sterling (Nicholas Nene).
A história é superficial, com conversas banais e tentativas mal sucedidas de piadas em meio às cenas de ataques do tubarão. Tudo apenas para preencher o tempo e que não funcionam, contribuindo ainda mais para nossa torcida pelo monstro. Os roteiristas não estão interessados em gastar energia com qualquer tipo de criatividade, utilizando clichês exaustivos de dezenas de filmes similares com tubarões comedores de gente. Para se ter uma ideia da bizarrice desse filme e da total falta de vontade dos realizadores em tentar inovar, nem que seja apenas um pouco, já tivemos anteriormente outros filmes praticamente iguais, apresentando tubarões de duas e três cabeças. São eles: “Ataque do Tubarão Mutante” (2-Headed Shark Attack, 2012) e “O Ataque do Tubarão de 3 Cabeças” (3-Headed Shark Attack, 2015), este último contando no elenco com o cultuado e veterano ator especialista em bagaceiras Danny Trejo, sendo ambos também produzidos pela “The Asylum”. Como não existe espaço físico suficiente para a colocação de mais cabeças no tubarão, talvez as 5 do monstro desse filme sejam o limite.
O filme é tão bagaceiro e seus realizadores tão desinteressados com o espectador, que o tubarão mostrado em boa parte do filme tem “apenas” 4 cabeças, provavelmente pela dificuldade de espaço físico, e somente depois de muitos ataques e mortes, veio a revelação do nascimento de uma quinta cabeça na cauda. A criatura mutante que estampa o pôster de divulgação não existe.
Em minha resenha do filme do tubarão com 3 cabeças, publicada tanto no blog “Almanaque da Arte Fantástica Brasileirahttp://almanaqueafb.blogspot.com.br/2015/08/o-ataque-do-tubarao-de-3-cabecas-3.html, como  no site “Boca do Infernohttp://bocadoinferno.com.br/criticas/2015/09/o-ataque-do-tubarao-de-3-cabecas-2015/), conclui o texto de forma tolerante com os produtores, que estavam entregando uma porcaria descompromissada com a coerência e talvez até certo ponto honesta com o público, que sabia o que iria consumir. Mas, depois de lançarem um tubarão com 5 cabeças, fica difícil manter qualquer tolerância. Existe uma competição entre os roteiristas sobre a mais ridícula, bizarra e absurda história de tubarão assassino, com os mesmos exageros de sempre e efeitos falsos de computação gráfica nas cenas supostamente sangrentas. Esse tema já está desgastante e cansativo.
Curiosamente, como homenagem ou simples brincadeira, tem uma citação da bióloga Dra. Yost sobre a cultuada série de filmes “Sharknado”, quando ela diz que os grandes tubarões brancos não atacam pessoas em barcos e ironizando se eles voassem através de tornados.
(Juvenatrix – 07/08/17)

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

As Condenadas (The Gestapo´s Last Orgy, Itália, 1977)


Lançado em fita VHS no Brasil pela “Century Video”, “As Condenadas” é um filme italiano de 1977 que tem o sonoro título internacional “The Gestapo´s Last Orgy”, tradução literal em inglês do original “L´ultima Orgia Del III Reich”. É um obscuro “nazisploitation” repleto de sadismo e violência contra mulheres judias num campo de concentração alemão na Segunda Guerra Mundial, um local especial para receber as prisioneiras com o intuito de entreter os oficiais e soldados nazistas.Com direção de Cesare Canevari (1927 / 2012), a história apresenta uma bela e jovem mulher, Lisa Cohen (Daniela Poggi, creditada como Daniela Levy), que se encontra com o antigo amante num campo de concentração abandonado em ruínas, após o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele era o líder do presídio, Comandante Conrad von Starker (Adriano Micantroni, creditado como Marc Loud), que dirigia o lugar com crueldade, sendo responsável por torturá-la até que se tornasse sua amante.
Primeiramente, como ela sentia-se culpada pela morte dos pais, perdeu o interesse pela vida e reagia com frieza e sem emoções diante das torturas físicas e psicológicas. Depois, recuperou o desejo de viver e cedeu às imposições do comandante alemão. Porém, depois de engravidar e ver o destino terrível de seu filho com sangue judeu, Lisa espera o fim da guerra para reencontrar seu algoz, reviver o passado tenebroso e terminar o pesadelo.

“Vou destruir seu corpo e sua mente. E o único modo, o único de temer a morte, é ficando viva. E quando aquele momento, só quando aquele momento chegar, você morrerá.” – Comandante Conrad von Starker

O filme fez parte da lista de “vídeos nasty” por causa do conteúdo violento, sendo banido na Inglaterra, tanto que essa informação está estampada num dos cartazes originais, como forma de chamar a atenção do público. O fato pode ser explicado pelas inúmeras cenas perturbadoras de horror bizarro e violência contras as mulheres prisioneiras. Elas são espancadas e utilizadas como escravas sexuais para os soldados alemães estressados com os conflitos nos campos de batalha, e para satisfazer os sádicos oficiais que sentem prazer em infligir castigos dolorosos.
Entre as bizarrices incompatíveis com qualquer senso de racionalidade, temos uma mulher oferecida viva como alimento para cães raivosos, atos de coprofagia, estupros coletivos, execuções em câmera de gás e reservatório de ácido, mulheres penduradas de cabeça para baixo próximas de ratos famintos aguardando a refeição. Ou, podendo servir como um ápice para esse conjunto de atrocidades, uma mulher é embriagada e depois queimada no meio de um jantar de gala dos oficiais, onde o prato principal é carne humana de judeus executados e bebês recém-nascidos.
A violência apresentada nem é tão gráfica, existindo uma infinidade de outros filmes mais extremos e sangrentos. Porém, o que o aproxima de ser considerado perturbador são as várias cenas de conteúdo transgressor e que chocam pela crueldade.
Curiosamente, “As Condenadas” também possui outro título original igualmente estranho e incomum, “Calígula Reincarnated as Hitler”, numa referência ao cruel tirano e imperador romano Calígula, retornando dos mortos e reencarnando no ditador alemão Adolf Hitler.
      
“Quando o super-homem deseja se divertir, ele deve fazê-lo com o preço da vida dos outros.” – introdução do filme – palavras de Friedrich Niezsche (1844 / 1900), filósofo e poeta alemão conhecido pelos textos recheados de metáforas, ironias e aforismo. 

(Juvenatrix – 03/08/17)